08 – Toda a verdade tem três lados

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Se tem uma coisa que é fato em uma relação é que sempre sabemos quando tem algo errado acontecendo. Não sei se “errado” é a palavra certa, mas existem alguns sinais que precisamos entender antes que tudo se torne uma paranoia.

A conversa ontem no bar da Roosevelt não fazia muito sentido e fui para casa desconfiado de que havia algo naquele convite no meio da semana. Deixei ele em casa e fui para a minha pensando se tinha feito algo de errado… nós e nossa mania de procurarmos um culpado em tudo. Será que nosso namoro estava em crise? Tem alguma coisa que deixei de fazer? Está sobrando ou faltando o quê nessa história?

Segui a Avenida do Estado adentro acompanhado de perguntas que precisavam ser respondidas. Nunca fiz o estilo de cara que se apavora com os desafios de uma relação, traição ou coisas do tipo, mas aquela inquietude seguida de quase uma hora de “apagão” no banheiro, era no mínimo, estranha. Pensei em mandar uma mensagem de texto, peguei o celular e não continuei… acho que os dois precisavam de um momento para processar aquelas informações. Informações essas que eu não tinha, claro.

Três anos de namoro não parece muito, mas tente ser você um casal gay. É foda! Leia Mais

07 – O diário de um jornalista infiel

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Corri em direção ao carro da equipe de jornalismo. Thor, o motorista que também fazia as vezes de segurança (por isso o apelido), esperava impaciente para acelerar a cem por hora até o centro de São Paulo. E assim o fez.

Enquanto me desorientava em meio às folhas de pautas e contatos do 3° Distrito Policial, o telefone tocava sem parar. Um número restrito insistia em falar comigo no momento que me preparava para a primeira matéria exclusiva da minha vida. Era bom que fosse tão importante quanto esse momento.
– Alô. Quem é?
– Oi, aqui é o Ricardo. Tudo bem por aí?
O carinha da faculdade. As últimas 24 horas haviam sido tão confusas que não me lembrei de falar com ele sobre nosso trabalho atrasado e o convite para conhecer o Rafa.
– Tudo Rick… o que manda?
– Desculpa te atrapalhar, cara. Só queria confirmar a reunião do trabalho as cinco.
– Cinco horas? Estarei lá!
– No estúdio, ok? Reservei a sala para nós. Leia Mais

06 – Você já ouviu falar na teoria do caos?


A noite gay campineira havia perdido sua traficante favorita e o público, com sede de noites arrebatadoras, se deslocava em massa para os arredores de Viracopos que tinha acabado de inaugurar rotas internacionais para Portugal e algumas capitais da América do Sul.

Toda semana desembarcavam romenos, uruguaios e portugueses carregados de farinha, ecstasy e outros sintéticos, suprindo a demanda da região e parte de São Paulo. O aeroporto local, ao contrário de Congonhas e Guarulhos, não tinha delegacia ou qualquer detector de narcóticos além de um simples raio x e alguns policiais camaradas. Dentre os bons colaboradores do negócio, Jacques, um dos agentes mais corruptos da cidade era também dono do Café Vitre, um puteiro enrustido onde políticos, empresários e outros figurões passavam suas noites fechando uns negócios e “abrindo outros”. Descobri naquela noite que Jacques era um dos novos parceiros comerciais do meu marido.
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05 – A primeira-dama do herdeiro da contravenção

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Passaram-se os dias e não ouvimos mais falar de Melinda. Ela nunca foi do tipo que se amedronta, todos da noite sabiam disso. Sendo assim, esperava por uma represália que mais tarde percebi que nunca viria.

Meu relacionamento com Claudio não estava bem e parte disso era culpa da droga e da rotina. De segunda a sexta-feira ia para o SPA, onde cuidava de pequenos afazeres administrativos e tentava criar algumas estratégias de marketing para o negócio. O lugar, instalado em um dos melhores bairros da cidade, era de uma qualidade impressionante e nunca vista na região. A ideia de um espaço urbano voltado ao público masculino, com salão de beleza, saunas, massoterapia era muito para a cabeça provinciana dos campineiros que ainda não sabiam lidar com tamanha “modernidade”.
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04 – Nosso castelo com parede de reboco

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Fugi em direção ao banheiro. O garçom, que já tinha trocado olhares quando cheguei (e estava são), segurava o riso e me indicava o lado certo para o sanitário masculino. É ridícula minha facilidade em ficar bêbado.

Daquela porta saiu um garoto que me segurou pelo braço de forma funesta e sincera:
– Que loucura, cara. Que brisa é essa!?
O garçom salvou novamente a noite e deteve o rapaz, que me soltou após alguns chacoalhões. Sua mão era fria e ele se agarrava à mesa, ao quadro, ao garçom, rangendo os dentes e falando algo ininteligível. Fechei a porta e me tranquei.

Olhei para o espelho e eu continuava lá, o “eu” de seis anos atrás…
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