13 – E assim se fez a nossa experiência a três

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Um novo dia nasceu, e com ele novas expectativas. O caso de Elton e todo suspense envolvendo o Rent, Yohanna e o tal “assassino arqueiro” não saiam da minha cabeça, mas era hora de respirar e fugir um pouco, pelo menos por um final de semana.

Passei o dia em casa, assim pude colocar em ordem coisas do trabalho, arrumar uma mala pequena, dois livros (que há meses estava “terminando de ler”) e esperar alguma notícia do meu editor com a matéria que escrevi na madrugada anterior.
– Você acha que ele vai pensar em publicar algo assim, João?
– Tenho certeza que não… mas que pelo menos entenda qual é a ideia.
– São só suposições, embora a gente saiba que o Elton está sendo manipulado dentro da cadeia. Precisamos de mais provas, e de um jornal que tenha coragem disso.

Afirmava Clara, acendendo seu décimo cigarro naquela tarde. Sempre fui fumante “recreativo”, ou em outras palavras, tinha preguiça mesmo de abandonar meus dois cigarrinhos do dia e trocar essa válvula de escape por comida ou algo menos prejudicial. Aquela chaminé que meu apartamento virou me deixava um pouco irritado… uma das várias neuras de quem mora sozinho. Leia Mais

12 – Vai com Deus, e que Oxum te acompanhe

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Na porta do Rent olhei para cima, observando cada janela quebrada, poucas luzes e fumaça que saiam dos andares abandonados. Por um instante pensei em desistir, mas agora, sem táxi e coragem de andar até a rua principal, segui em direção ao meu destino: Yohanna.

Se o depoimento de Elton fosse verdadeiro e não uma paranoia, como havíamos imaginado, a traficante mora no terceiro andar e fora gravemente atingida. Pelo que sabia, de minhas experiências com casos de suspeitos e criminosos baleados (e em alguns filmes policiais), eles não dão entrada em hospitais, acabam se tratando em casa… era essa minha chance.
– Tá procurando o quê, rapaz?
Me abordou um dos “porteiros” no saguão. Com cara de menor de idade (não daria mais que dezesseis anos), o jovem estava acompanhado de dois indivíduos com o dobro da nossa altura, cercado de crianças brincando com um patinete em frangalhos e ripas de madeira.
– Vim ver a Yohanna. Ela está?

Silêncio, eles se aproximam de mim.
– Sou amigo de um amigo dela…
– Tá de vacilo aqui, não tá? Leia Mais

11 – O mistério de Elton Berthold em minhas mãos

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Clara não conteve o choro, nem eu. Embora soubesse que deveria ser o porto seguro naquele momento, as coisas haviam saído do controle e sentia uma enorme responsabilidade por Elton. Fomos até a sacada, onde ela acendeu um cigarro e eu olhei para a rua, ainda sem saber o que fazer.
– E agora, João?
– Eu ainda não sei… o que me assusta é saber que ele está preso e incomunicável. Mais alguém conseguiu chegar até ele? Precisamos pensar em algo…
– Aquele policial, Souza. Ele vai foder com tudo.
– O que houve? O que você sabe?
– Ele pediu um novo depoimento… ele descartou o primeiro interrogatório de Elton e queria que fosse feito outro.
– E qual o problema disso?
– Você não entendeu!? O Elton foi sedado. Mas eu sei que ele estava são quando falou pela primeira vez… eu sei!
– Você acha que ele poderia censurar o Ton ou algo assim?
– Eu tenho certeza disso. Eu passei o dia enclausurada naquela delegacia… eu ouvi todos os rumores. Eles não querem mexer nesse vespeiro. Precisamos ter acesso ao Elton, pelo menos, já que o primeiro depoimento vai sumir, com certeza.
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10 – Por uma história que deve ser contada!

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Clara, visivelmente abatida, correu da última sala em minha direção. O policial que estava com o dedo no gatilho abaixou a arma sob o sinal de outro agente que estava com a testemunha, até então. Ricardo, ainda apavorado, soltou meu braço e a respiração, dando um passo para trás e abrindo caminho para que a atriz viesse a meu encontro.
– Clara!
– Graças a Deus! Você está bem?
– Eu é quem te pergunto… você passou o dia aqui?
– Ainda não pude ir embora. Esse é o Souza, investigador responsável pelo caso.

O tal Souza olhou para minha cara e puxou Clara pelo braço, como se ela fosse a causadora do caos que estava sua delegacia. Não podia deixar de falar com a única testemunha ao meu alcance, com a única amiga de Elton naquele momento. Por um instante fechei o corredor propositalmente e estiquei a mão para o detetive, que agora cercado de mais pessoas, não pôde deixar a cordialidade e parou para me cumprimentar.
– Sou João Assali, do Estado. Tudo bem detetive?
– Sim, pois não! Não posso dar entrevista agora, mas terei prazer em falar sobre o caso.
– Estou aqui como acompanhante da Clara… acredite ou não sou um bom amigo dos envolvidos.
– Ela não pode falar até que o inquérito seja finalizado… – diz Souza, demonstrando apreensão e puxando ainda mais forte a testemunha.
Com medo, mas ainda sem respostas, seguro Clara, que se dirige ao detetive, decretando o fim daquela cena patética.
– Você disse que eu já estava liberada, detetive. Não tenho a intenção de falar com a imprensa e João não veio ao meu encontro com esse objetivo, não é mesmo?
– Sim! Digo… não, não irei entrevistá-la. Vim para levá-la para casa.
Ricardo, que também havia entendido a farsa, decidiu fazer parte dela.
– Isso, inclusive o Rafael está lá fora nos esperando.
– Pois bem, te agradeço David, é isso?
– Souza. Detetive David Souza Junior. Leia Mais

09 – Esses são os ventos da mudança

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Estacionei o carro ao lado da avenida Rio Branco. Estava há poucos quilômetros da casa do Johnny, me encontrando com seu colega de faculdade… isso era estranho e por um instante a culpa surgiu. Podia ser pela punheta da noite anterior ou por não contar a ele o que estava acontecendo.
Pensei em ligar mas sou péssimo em mentir. “Daria na cara que estava planejando alguma coisa”, pensei. Além disso, ele tinha que chegar cedo no jornal, melhor não atrapalhar.

– Rafael?
Era Ricardo, debruçado sobre a janela de passageiro. Mais franzino do que imaginava, igualmente fofo e jovial, pedi que entrasse, afinal estava parado em vaga de carga e descarga.
– Não consegue parar ao lado do mercado? Assim tomamos café, não sei.
Atendi seu pedido e parei logo a frente. Fomos a um café e lanchonete bastante comum no centro de São Paulo. Não sabia como começar a conversa, tampouco o que fazia ali. Rick, embora novo parecia um exímio tomador de decisões.
– Então o João quer comer nós dois… Leia Mais