Fernando Cysneiros, do projeto The Drag Series

Dezembro é mês de São Paulo ganhar a criatividade do The Drag Series. A série que tem ganhado destaque na comunidade LGBT agora volta seus olhos para as artistas paulistanos. O fotógrafo pernambucano Fernando Cysneiros clicou 20 artistas da cena paulista no final deste ano e o resultado final pode ser visto nas redes sociais do projeto ao longo de dezembro.

O que é o projeto The Drag Series?

The Drag Series surgiu no começo de 2016 com objetivo de registrar e enaltecer o universo queer com foco na arte das drag queens. Em todas as fotografias, as artistas posam diante um fundo branco – uma moldura a ser preenchida à criatividade e gosto de cada uma.

A série foi inaugurada em Recife, capital do Pernambuco, com artistas majoritariamente participantes da cena pernambucana. No entanto, com apenas 8 meses em andamento, drag queens de outras 13 cidades já participaram como São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, João Pessoa, Maceió, Uberlândia e internacionalmente em Santiago, capital do Chile, e Chicago, Estados Unidos.

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Novos retratos de diferentes artistas são publicadas todas as quintas-feiras nas redes sociais do projeto.

Mais de 50 queens já participaram. O projeto continua em 2017 atingindo o marco de 100 retratos em seu aniversário de um ano, em maio. Entre os destaques, pode-se citar Kim Chi e ChiChi Devayne, do reality americano RuPaul’s Drag Race, e Pabllo Vittar, principal atração músical da última temporada do programa Amor & Sexo, da Rede Globo.

Nós batemos um papo com Fernando Cysneiros, confira!

– Fernando, como surgiu o interesse pelo universo drag?
Acredito que, como boa parte dos jovens hoje em dia, o interesse veio principalmente após passar a acompanhar o RuPaul’s Drag Race. Também, atuo como fotógrafo Fernando Cysneiros The Drag Queen Seriesde moda, e as drag queens sempre me fascinaram pelo impacto visual que causam.

– A profissão ganhou um pouco mais de espaço graças a programas como RuPaul. Mesmo assim o preconceito continua? Você conversou com suas modelos sobre o assunto?
Sim! O assunto é comum nas rodas de conversas e, mesmo que eu não atue como drag queen, percebo muito preconceito e desinformação sobre a arte. Frequentemente me perguntam sobre o projeto e muitas vezes tratam como se a drag queen fosse a mesma coisa que uma trans ou travesti. Tento educar sempre que percebo alguém sem entender do que se trata. Mesmo no próprio meio LGBT ainda há muita opressão. As drags com a qual convivo discutem frequentemente sobre o preconceito que sofrem de LGBTs heteronormativas, sobre a dificuldade de encontrar alguém para um relacionamento sério por conta da profissão, e até mesmo sobre a ignorância de alguns que insistem em comparar as drags brasileiras com as americanas, tentando impor padrões em sua estética e performance.

– Qual drag seria seu sonho fotografar e por quê?
Ah, são muitas! Fora do Brasil, gostaria muito de fotografar a Mathu Andersen pelo seu impacto visual. Nacionalmente, a Silvetty Montilla, pela sua importância histórica na cena drag brasileira!

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