Cena de sexo gay em Liberdade, Liberdade, pioneira na televisão brasileira, bate recorde de audiência

A alegria com a primeira cena de sexo entre dois homens em uma novela brasileira foi maior que o ódio… e novamente o amor vence, pelo menos no mundo virtual. O capítulo desta terça-feira de “Liberdade, Liberdade” garantiu a liderança isolada da Rede Globo na audiência e foi um dos assuntos mais comentados no Facebook e Twitter, chegando ao Trending Topics mundial.

A linda cena, delicada e bem dirigida, mostrava a tensão de André e Tolentino, interpretados por Caio Blat e Ricardo Perereira. A insegurança e o tesão falaram alto no episódio que marca a história da televisão brasileira, acostumada com aquele “papai-mamãe” sem sal. Depois de fazerem amor, terminam deitados nus sobre a cama com as mãos dadas, entregues. Já tínhamos comentado aqui, no Três de Paus, sobre a represália da igreja católica contra a cena de sexo gay em Liberdade, Liberdade.


Diálogo da cena:

Tolentino: Meu único amigo é você. Você, André. Um homem sensivel. Consegue entender os mistérios da vida. As voltas que o mundo dá. As surpresas que a vida nos reserva.

André: As surpresas sobre nós mesmos

Tolentino: Sim. Você mesmo disse um dia. Todos nós temos uma segunda natureza. Que às vezes permanece oculta.

André: Mas não para sempre.


Repercussão na internet: famosos aprovam a cena de sexo gay em Liberdade, Liberdade:
O ativista João Junior não conteve as lágrimas ao ver retratado o amor entre dois homens na novela global. “Certamente uma das cenas de amor mais lindas e importantes da televisão brasileira. Um símbolo de afirmação da igualdade entre casais homoafetivos e heteroafetivos”, abordou.

O ator Kelvin Torres destacou a interpretação de Caio Blat e Ricardo Pereira. “Foi uma cena bem verdadeira. Os atores conseguiram transmitir a ansiedade dos personagens desejando aquela primeira vez entre eles”, disse. Um dos youtubers gays mais populares, Victor Larguesa celebrou a exibição em um momento, segundo ele, da ascenção de forças reacionárias.

“Em uma época que o conservadorismo inundou nosso governo, quanto mais redes naturalizarem a forma que eu vivencio meu corpo, meus sentimentos e minha sexualidade, para mim, é uma vitória”, definiu.

Jean Wyllys também fez textão, cheio de orgulho e empoderamento:
Parabéns, ‪#‎LiberdadeLiberdade‬, pela linda cena do amor entre André e Tolentino. Toda a sequência foi elegante sem abrir mão da sensualidade – da homossexualidade – tensa que envolve as personagens! Com um diálogo significativo e uma direção delicada, Caio Blat e Ricardo Pereira deram um show de interpretação (coragem e verdade emprestadas aos personagens). Mais um dia histórico para a teledramaturgia brasileira.
A Rede Globo e equipe refletiram a diversidade da vida e as conquistas culturais e políticas da comunidade LGBTs. A telenovela não pode ser ignorada por intelectuais, cena gay liberdade liberdadepor políticos nem por movimentos sociais que estejam seriamente comprometidos com a disputa dos corações e da mente dos brasileiros no sentido de (re)construir uma mentalidade caracterizada pelo respeito à dignidade humana de todos e todas, a despeito de suas diferenças e identificações.

Alguns podem considerar as representações dos homossexuais em telenovelas meras “abstrações”. Porém, como bem lembrou Albert Camus em “A peste”, quando as abstrações se põem a fazer sofrer, humilhar e, por fim, matar, o melhor que fazemos é nos ocupar delas.

O pecado, o crime, a doença e o armário já eram! Agora e daqui pra frente é liberdade, liberdade ainda que tardia para nós LGBTs!

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