15 – Todos os primeiros orgasmos que já tive


Nessa hora, confesso, aquela erva que havia fumado no quintal bateu, e foi forte. Clara sempre foi a melhor quando o assunto era ter os melhores contatos e um beck de qualidade.
Só conseguia ouvir alguns uivos de cachorros vizinhos e os gemidos longos, cheio de jeito, do Rafa.

Ao meu lado ele assistia minha submissão quase que espontânea de tamanha brisa que estava. Ricardo, com as mãos na bunda do meu namorado massageando seu cu com carinho e firmeza, ainda podia sentir que seu rabo estava quentinho e com meu formato. Eu, de pau duro e babado, com a bunda empinada aguardando a vara grande e torta de Ricardo, só observava… viajava, não mais ansioso, mas entregue e desprendido, naquele momento tão esperado que era nossa primeira vez transando a três.
– Está tudo bem?
Perguntou Rafael, desconfiado do meu silêncio e procurando com as mãos minha pica, espremida contra a cama.
– Estou ótimo…

Balbuciei sem entender sua pergunta. Naquela hora, ingênuo e entregue me lembrava dos “pegas” da minha juventude. Verônica foi uma das minhas primeiras companheiras de bebida e maconha, tinha a sublime habilidade de me inspirar na alegria e na tristeza… foi ao lado dela que escrevi meus primeiros textos, cartas, poemas…

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“Eu tenho resposta para tudo… mas sobre o amor me abstenho”

– Espera… essa é do Renato Russo!
Verônica, com a pouca sobriedade que restava, tentava adivinhar o autor da frase enquanto eu, ainda engolindo o choro e um gole da vodka mais vagabunda que nossas economias juvenis podiam pagar, me empenhava em sorrir e superar o fim do meu primeiro namoro.
– Essa é minha mesmo.
– Uau! Temos um poeta entre nós… e você insiste em sacanear quando eu solto as minhas frases melosas e decoradas. Engraçadinho!
– Dá um tempo Vê, eu só pego no seu pé porque você insiste em gostar de menina hétero. Só isso!

Verônica e eu, aos quinze anos, éramos como irmãos gêmeos, certamente univitelinos. Dona de um humor único e mais de noventa quilos, Vê foi minha amiga e confidente em minhas primeiras descobertas gays. Filha única, Verônica era uma sagitariana destemida e sapatão assumida. Enquanto eu ainda beijava garotas e brincava de agarrar meus colegas de colégio, “na zoeira” – claro -, Verônica se apaixonava pela garota mais bonita da sala, Marina.

Em Bauru, e provavelmente na grande maioria das cidades de interior, era comum estudarmos com as mesmas pessoas, do jardim ao último ano de colegial. Foi assim com Marina, que não era mais aquela loirinha desdentada que brincava de elástico no pátio do Objetivo, mas sim uma linda adolescente, uma das primeiras a ter peitinhos e curvas de mulher, que ilustrava as primeiras gozadas dos meninos da sala, e de Verônica, claro.

Entre Vê assumir para mim que estava amando e que essa fantasia platônica era por Marina foram alguns meses de apreensão e intemperança. Meu maior medo era que ela estivesse apaixonada por mim e nossa amizade acabasse… quanta presunção minha!
Certa noite, na casa de Verônica como de costume (passava dias e dias em sua casa e até ganhei duas gavetas no guarda-roupa por isso), enquanto ouvíamos o CD da Alanis, recém lançado, no último volume e bebíamos o vinho do seu pai em taças como duas madames suburbanas, resolvemos acender um cigarro de menta que sua mãe costumava esconder no pote de biscoito da dispensa e brincar de verdade ou consequência.
– Chega de consequência! Acho que vamos ter um monte delas quando seu pai chegar e ver essa garrafa vazia.
– Então vamos lá, escolhe verdade?
– Nada mais que a verdade…
– Você se lembra da primeira vez que teve tesão em uma pessoa?
– Uau!
– Peguei pesado?
– Como sempre.
– Eu sou pesada, queridão!
– Vamos lá… mas antes, me explique o motivo de “uma pessoa”.
– Porque eu acho que você não está ficando de pau duro por plantas, ou animais.

Estávamos realmente bêbados. Assim como nos dias de hoje, duas taças me fazem confessar qualquer crime.
– Espertinha… estou falando sério, você me acha estranho, é isso?
– Nós somos estranhos. Quem aos quinze anos rouba cigarros e bebidas dos pais em plena quarta-feira?
– Acho que todo mundo, não?
– Elementar, meu caro.
– Eu… eu não sei responder essa pergunta. Passo.
– Espera aí, “nada mais que a verdade”, esqueceu?
– Acho que ando muito preocupado com o jogo de sexta, ou a semana de provas, para lembrar disso.
– Acho que você quer me dizer que não tem tesão. É isso?
– Claro que não! Eu sempre estou pensando umas coisas… sei lá.

Você nunca se masturbou na sua vida!?

Me sentia no confessionário, sem coragem de dizer ao padre que meus desejos sujos, na verdade eram menos ortodoxos do que poderia imaginar.
– Você se masturba com que frequência?
Ao ouvir aquilo de Verônica tomei um susto e engasguei com o mentolado que mal sabia tragar. Estávamos partindo para uma zona cinzenta da minha vida que ainda tentava evitar, e por isso não fazia sentido discutir.
– Como assim, Verônica?
– Masturbação, queridão. Punheta, bronha, “Mariquinha, Maricota”…
– Eu sei o que você está falando. Ou eu não sei…
– VOCÊ NUNCA SE MASTURBOU NA SUA VIDA?
– Não. Nunca.
– Pois você vai fazer isso agora!
Minha melhor amiga me pegou pela mão e por um instante acreditava que abaixaria minha calça bag e faria aquilo ali mesmo, na sala de TV. Não era nada disso, Verônica me jogou, bêbado, para dentro do banheiro e o trancou por fora. Só sairia dali enquanto “terminasse”.
– Agora você vai pensar em uma garota… a mais bonita delas.
– Ok…
– Quem é?
– Eu, eu não sei.
Não me vinha nenhuma garota, bonita ao não, a cabeça.
– Pára de graça, só na sua sala tem três ou quatro.
– A Renata, Giovana?
– Que tal a Marina?
Sugeria Verônica, do corredor, misturando palavras com suspiros e dando a resposta certa. Para ela, claro.
– Argh, ela não! Ela é minha amiga, Verônica.
– Pára com isso. Não tem essa de amiga.
Embora algumas coisas começassem a fazer sentido na minha cabeça precoce, me preocupava Verônica não respeitar certos “protocolos”, como de não ter tesão em amigos, algo que me acompanharia o resto do vida.
– Então tá. A Marina…
– E aquela tetinha durinha dela…
Aquilo estava mais estranho que o normal. Mas, foda-se, precisava saber até onde iríamos com tudo isso.
– Sim…
– E a saia-shorts, justa, do colégio… suas pernas roçando uma na outra, e aquela carinha linda… aqueles olhos…
Fiquei em silêncio e deixei Verônica divagar em suas palavras. No final entendia que ela queria mais aquilo do que eu. Com certeza, queria.
– Ela com certeza já deve ter pêlos lá. Estou certa que sim… a Marina…
Por um minuto ou dois ficamos calados. Eu buscando alguma resposta e temendo em abrir a porta e me surpreender com Verônica com as mãos dentro da calça fazendo sei lá o que. Respirei fundo e decidi enfrentar aquela cena, novamente com a coragem e o álcool que me colocara naquela situação.
Verônica não estava tocando uma. Minha amiga estava agachada, com a cabeça baixa e chorando como uma criança de castigo. “O que eu fiz de errado”, me perguntava.
– O que houve?
– É isso… o que queria te dizer, mas não consegui. Eu gosto da Marina, e estou apaixonada por ela. Acho que sou assim…
– Está tudo bem. Talvez eu já soubesse disso.
– E quero que você vá para sua casa, hoje. Quero ficar sozinha.
Assim fiz. Peguei uma mochila no canto do quarto, alguns CDs e segui para a porta, sem pensar no que precisava dizer para minha amiga.

Quase quarenta minutos depois estava em casa. Irritado pela caminhada que tive pela frente, assustado pela nova situação que surgia a minha frente e intrigado por nossas descobertas, mais do que entender o comportamento de Verônica ou se “aquilo era ser sapatão”, queria saber mais sobre punheta e porque caralho ainda não tinha feito aquilo. Estava bêbado e precisava entrar na surdina ou a surra seria certa.
– Sua tia ligou, João. Quer saber que horas vocês vão para Brotas, no sábado.
– Eu não sei mãe…
Entrei correndo em direção ao banheiro.
– Mas… João. João Guilherme! É seu aniversário, liga pra ela ainda hoje!

Por um instante tinha quinze anos, de novo

– Ahhhhhhhh! Puta que paaariu!
– O que foi? Te machuquei!?
Perguntava Ricardo, dentro de mim, intimidado. Parecia que estava há horas vivendo meus quinze anos, mas estava ali, diante do meu primeiro ménage com Rafael.
– Ele não dá há uns bons meses…
Comentou Rafa, rindo e beijando meu rosto. Rick recuou por um instante, mas pedi que esperasse e tentasse novamente me penetrar… aquele era meu “pequeno macete” para dar a bunda. Enquanto ficava de bruços, ainda atordoado pelo “efeito surpresa”, minhas lembranças insistiam em mostrar o meu primeiro orgasmo.
– Isso é quase que providencial… todos os meus primeiros orgasmos…
– Que brisa é essa, Johnny!
Sorria Ricardo, agora meia bomba e sendo incentivado por Rafa com uma bela punheta. Todos suados, sob a luz da enorme lua que insistia em iluminar a janela e uma playlist recém criada (que me inspiraria, semanas depois, a criar uma seleção própria de canções escolhidas por nossos terceiros), Macy Gray ou algo assim.

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Olhei para o espelho, respirei fundo e enquanto observava os poucos pelos que nasciam em peito e virilha, seguia os ensinamentos de Verônica.
– Primeiro, a imaginação…
Me veio a cabeça uma cena de sexo qualquer, entre um homem e uma mulher… era dessa forma que me “incentivava” vez ou outra, com closes caprichados no pau entrando, saindo, entrando novamente… e sem som, na maioria das vezes. Sempre achara aquela gritaria das atrizes exageradas e até um pouco assustadores.
Naquele momento me veio Marina, seus seios, e outros flashes de bundas, paus e xoxotas. Abri os olhos e nada havia acontecido.
– O que estou fazendo de errado?
Falava, olhando para mim, no espelho, e insistindo em “mexer” com meu pinto. “Era assim que William fazia”, pensei, lembrando do meu melhor amigo de infância e a primeira masturbação que tinha visto na vida.

Foi aí que me lembrei dele, aquele menino cinco ou seis anos mais velho que eu, uma das primeiras paixões que tive na vida – sem nem saber o que era isso e quais consequências poderia me trazer. Do William minha imaginação rodou a sala de aula e Rafael Ortega, o “carinha do fundão”.

O aluno mais velho da sala tinha uma legião de fãs – as declaradas eram do público feminino – e dois primeiros colegiais em seu histórico escolar. Pernas grossas, com pêlos lisos e bem distribuídos, Ortega exalava testosterona em seus 17 anos exibidos em um corpo viril e moreno, que fazia a educação física parar na hora dos times “com camisa e sem camisa”.

No vestiário, tirando lentamente o shorts de aula, suor escorrendo pelo peito até os pentelhos, só conseguia pensar agora no Rafael tirando a cueca e deixando a mostra aquele pau pesado e mole, acompanhado de grandes bolas de menino adulto. Sabia que era o garoto mais gostoso da sala e insistia em desfilar pelado pelos chuveiros até começar seu banho, mexendo na rola e chamando a atenção dos demais quando possível.

– Oooh!
Foi assim que gozei. Esse foi meu primeiro orgasmo… pensei no Ortega, queria o Ortega e dessa forma debutei a minha primeira punheta de milhares e quase milhões de outras que viriam. Minhas pernas estavam bambas, parecia que não ia sobreviver. Uma taquicardia que dava a impressão de quase morte, de ser arrebatado por alguns instantes… estava no céu? Como podia nunca ter feito aquilo?

– Vou gozar!
Gritou Ricardo, me fodendo de bruços. Rafa acabara de lambuzar minhas costas de porra assistindo e auxiliando Rick, e eu, já estava gozado há bons minutos, tremendo de prazer e satisfeito pela nossa primeira noite a três.

Esse foi meu outro primeiro orgasmo… pensei em nós, pensei no Ortega, queria o Rafa feliz e Ricardo satisfeito dentro de mim. Minhas pernas seguiam ficando bambas, quase quinze anos depois. Uma taquicardia que já conhecia, aquela deliciosa vontade de ser arrebatado por alguns instantes… estava no céu?

Como podia nunca ter feito aquilo?

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