Fernanda Torres volta para São Paulo com A Casa dos Budas Ditosos

Interrompemos essa programação para dar uma dica de primeríssima qualidade! Após algumas temporadas de absoluto sucesso pelas principais capitais brasileiras, incluindo Portugal, o espetáculo A Casa dos Budas Ditosos retorna a São Paulo, a partir de 8 de julho. Desta vez, a casa da Casa mais conhecida do teatro brasileiro estará no Teatro Fecomercio| Sala Raul Cortez, Sala Raul Cortez.

Mais de 700 mil espectadores conferiram a peça, uma comédia, digamos, “afrodisíaca” adaptada por Domingos de Oliveira do romance homônimo de João Ubaldo Ribeiro. A atriz Fernanda Torres interpreta uma libertina baiana sexagenária que detalha as incontáveis experiências sexuais que teve ao longo da vida. O espetáculo já rendeu à atriz a vitória do Prêmio Shell em São Paulo e venceu também o Prêmio Qualidade Brasil de melhor atriz, diretor e comédia em 2004.

Escrito na primeira pessoa, o livro A Casa dos Budas Ditosos é oa-casa-dos-budas-ditosos-2 depoimento de uma mulher que deseja dizer ao mundo que ousou cumprir sua vocação libertina e foi feliz.

Para viver a personagem, Domingos de Oliveira pensou que precisava de alguém que soubesse transitar por todas as idades, pelas diversas fases da personagem. Ao diretor, pareceu que uma atriz que estivesse entre os trinta e cinco e os quarenta e poucos, a melhor idade na vida de qualquer mulher, segundo a baiana do livro, seria o ideal para criar essa diversidade.

Para Domingos, esse artifício, simples e não realista, de ter uma atriz de meia-idade, vivendo uma mulher de idade que se lembra de todas as suas fases, acabou por acentuar o discurso libertário da baiana de João Ubaldo. Quem prega, confessa, ri é a mulher no seu ideal, é uma imagem projetada e viva. Essa ilusão contribui para que a viagem sexo-sensorial, proposta por João Ubaldo, aconteça plenamente no teatro. O diretor ressalta que é impossível ficar indiferente à seleção de homens e mulheres que a baiana evoca, como também é impossível, ao evocá-los, deixar de passar em revista o seu próprio memorial afetivo. Esse efeito colateral, talvez, seja a grande experiência sensorial do espetáculo.

“A narrativa de João Ubaldo Ribeiro contém nítida importância filosófica, disfarçada em folhetins de peripécias sexuais. O personagem sem nome que Ubaldo criou é sem dúvida uma deusa. Ela possui uma liberdade divina almejada na imaginação por todos nós e, na prática, inalcançável por qualquer um de nós”, diz Domingos.

A atriz Fernanda Torres encontrou nesse convite o projeto ideal para experimentar a possibilidade de se fazer teatro apenas com um ator, um texto e um microfone. Era uma vontade antiga que a atriz alimentava desde que assistiu pela primeira vez a Spalding Gray. A contundência do discurso sexual da baiana e a qualidade do texto de João Ubaldo deram segurança aos dois, Domingos e Fernanda, de optar pela limpeza absoluta, de confiar na máxima de que quanto menos, mais. Além disso, arriscaram deixar a personagem sentada, acompanhada apenas de alguns objetos, entre os quais, o maravilhoso livro Nossa Vida Sexual, de Fritz Khan, da biblioteca do avô da personagem – encontrado em um sebo de São Paulo – e os dois Budas Ditosos.

SERVIÇO
A Casa dos Budas Ditosos
Teatro Fecomercio – Sala Raul Cortez- R. Dr. Plínio Barreto, 285 – Bela Vista, São Paulo – SP.
De 8 a 17 de julho.
Horário: sexta-feira às 21h30, sábado às 21h e domingo às 18h.
Classificação etária: a partir de 18 anos.
Ingressos: R$ 100,00 e R$ 50,00 (meia-entrada) – disponível para compra na internet  e na bilheteria do teatro.

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