Devo ter quais cuidados com Grindr, Hornet e outros apps de pegação?

Vocês, assim como eu, tomaram um susto essa semana com o compartilhamento de um post do Alexandre Putti, colega de jornalismo que passou poucas e boas após marcar um encontro no Grindr. Pois bem, para quem não está sabendo, leiam aqui:

PRESTEM ATENÇÃO – GOLPE PELO APP GRINDR
Um dos meninos que mora comigo estava conversando
com um cara que ele conheceu pelo app Grindr. Ficaram um tempo conversando pelo whatsapp, trocaram fotos, histórias até que resolveram marcar um encontro. O cara, que se apresentava como CAIO, insistiu para que o encontro fosse em casa, e fez meu amigo garantir que ele estaria sozinho. Enquanto esperava o “Caio”, uma outra amiga, que também mora com a gente, chegou mais cedo do trabalho. Até aí tudo bem. O Caio chegou, interfonou e foi autorizado para subir. Quando entrou em casa, ficou um pouco desconfortável pelo meu amigo não estar só, mas agiu normalmente. Ele era alto, magro, moreno e vestia um boné. Foi quando pediu para que meu amigo o levasse para o quarto e anunciou que ele não era o “babaca” que ele pensava, tirando uma arma da calça e apontando para o meu amigo. Nisso pediu para chamar minha amiga e trancou os dois no quarto. Revirou a casa toda, pegou tudo que pode e voltou para o quarto. Nesse momento, fez meu amigo colocar tudo que tinha e cabia na mala. Isso inclui meu computador e minhas roupas. Enquanto meu amigo fazia isso, ele, o “Caio”, acalmava minha amiga e dizia claramente para ela que com ela ele nao faria nada, e sim com o “babaca e nojento” do meu amigo, que é gay. Engatilhou a arma e disse que o mataria se demorasse mais um pouco. Todo instante ele deixava claro o quanto ele tinha nojo do meu amigo, por ele ser gay, e acalmava minha amiga dizendo que com ela não faria nada. Vendo o estado de choque dela, disse que não o mataria mais. Trancou os dois no quarto e foi embora. Além disso ser um golpe, é claramente um ataque homofóbico, pois se meu amigo estivesse sozinho, não estaria mais aqui para contar a história. Não é a primeira vez que um homofóbico cria um perfil fake em app gays para roubar e matar, por isso gente, cuidado. Estou compartilhando essa história pensando em salvar alguma vida que possa ser vítima desses caras. A homofobia existe sim, e precisamos estar sempre atentos. Meus amigos estão bem, se foram os objetos, mas ficaram os traumas :(”

marcar encontro pela internet é perigoso

Imagem do post original. Alexandre decidiu compartilhar a experiência, que certamente deixará todos mais atentos com os cuidados com Grindr e outros aplicativos.

Sufoco é pouco, fala aí!?
Pois bem, fui bater um papo com o pessoal do DECRADI – DELEGACIA DE CRIMES RACIAIS E DELITOS DE INTOLERÂNCIA, e pasmem, esse tipo de crime é mais comum do que imaginamos. “Semanalmente recebemos entre onze e vinte ligações de queixas registradas por meio do serviço telefônico Disque 100, além de reclamações presenciais, em nossa delegacia (localizada na rua Brigadeiro Tobias 527, São Paulo)”, afirmam a assessoria pública. “O maior problema é que muitos não dão continuidade ao processo pelo excesso de exposição ou por acreditarem que nada será feito”, concluem.

E aí, devo ter quais cuidados com Grindr, Hornet e outros apps de pegação?

Vou dar 5 dicas fundamentais que funcionam para qualquer rolê: cuidados com Grindr, Hornet, Scruff, Tinder e tantos outros aplicativos que usamos para conhecer novas pessoas. Alguns passos simples e bem óbvios, mas que na “hora da emoção” esquecemos de fazer, tome nota:

1 – O boy é real ou é fake?

Pois é, esse papo de “não passo whats”, “sou discreto ninguém sabe de mim – só falo por aqui” ou até mesmo o bizarro “tenho um relacionamento (muitas vezes lançam ‘namoro uma mina’) então só falo por aqui” é 50% de chance de ser truque… desconfie!
Tente uma aproximação como WhatsApp, Skype ou até mesmo Facebook para garantir que o cara é real, que vocês tenham amigos em comum (afinal todo mundo conhece todo mundo por aqui – até mesmo em SÃO PAULO). Na boa, se o cara enrolar muito para passar esses dados, por mais lindo e interessante que seja, ele não tá afim de algo legal contigo (mesmo que seja só uma noite). É o que penso, não acham?

2 – Marque em lugar público!

Por favor né, galera. Marcar o rolê direto em casa… não, não!
Você está naquele tesão doido, tudo certo, programado com o crush e até já se falam há um tempo… por que não marcar na esquina de casa, num barzinho, padoca, sei lá?

Acredite, não é deselegante e se você comentar dos casos de violência que tem rolado etc é bem provável que pegue até bem para você. Pessoa segura, que pensa no bem estar vale ponto!

Todo cuidado é pouco com encontros via internet. Aplicativos são legais, mas é necessário cautela.

Todo cuidado é pouco com encontros via internet. Aplicativos são legais, mas é necessário cautela.

3 – Avise o melhor amigo dos seus encontros

Sempre fiz isso, e foi sempre muito de boa. Sabe aquele amigo do Conta pra ele para onde vai, ou quem vem até você. Mande os famosos mapas do Whats ou endereço. Não custa nada e pode ter certeza que o amigo (amigo de verdade, heim) vai ficar também tranquilo e zelar por você.

Se tem mais intimidade com família (mãe, irmã(o) etc) também vale e é até mais legal. Nunca saia sem avisar para onde vai, quem vai encontrar… não só pela insegurança com o date mas pela criminalidade que vivemos diariamente mesmo em nossa cidade.

4 – O combinado nunca é caro

Adoro bater papo com amigos de todos os gêneros e gostos sobre pegação. Muitos (na maioria hetero) se surpreende com a forma com que combinamos nossos encontros. “Nossa, mas vocês já dizem se é ativo, passivo, o que vai ou não fazer?”… sim!

Especialmente quando o encontro tem por objetivo uma rapidinha, sem compromisso. Têm por aí dezenas de caras com fetiches bem “diferentões”, e até aí tudo bem se você está afim disso. Mas também tem centenas de outros caras mal intencionados. Fiquem ligados, ok?

Começou com papinho de “bare”, de violência ou qualquer outro tema que não te agrade, seja franco e sem rodeios: “não vai rolar”. Sim, caro leitor, já perdi bons partidos dizendo não, mas cá estou, vivo e com saúde para trocar essas experiências com vocês, não? 😉

5 – O cara está forçando a barra? Vaza fora!

E por último, e fundamental: não estou curtindo = não quero e não vai rolar.

Não se submeta a situações desconfortáveis ou que não esteja na vibe. Se perceber que o gato está mudando de humor por isso, discretamente peça para parar, diga que não está se sentindo bem ou melhor, se já chegou no encontro inseguro, combine com o amigo (lá da dica 3) para te ligar e saber se está tudo bem.

Acredite, violência e abuso sexual fazem parte de 65% dos casos de homicídios de gays, lésbicas e transexuais em nosso país.

E aí, está preparado? Assustado?
Gato, já dizia mamãe, “é melhor prevenir do que remediar”. Os cuidados com Grindr servem para todo encontro “às escuras”, seja por aplicativo, convites de conhecidos etc. Marcar encontro pela internet é perigoso apenas para quem não tomas os cuidados certos.

Relaxa, converse, conheça, descubra… o mundo anda muito chato e pouco “social” (por mais que vivamos metade do tempo nas “redes sociais”). Conhecer pessoas ainda é mais legal que apenas corpos e outros membros! 🙂

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