Papa Francisco sobre gays: Igreja deve desculpa a vocês

Será que a religião está finalmente encontrando o “caminho de amor ao próximo” que tanto prega?

Não é a primeira vez que o Papa Francisco discursa contra os princípios da Igreja Católica, e tem se tornado frequente a discussão sobre a relação do Vaticano com homossexuais. Neste domingo (26), por exemplo, Francisco defendeu que os cristãos e e a Igreja Católica devem procurar o perdão de quem ofenderam.

“Acredito que a Igreja não deve apenas pedir desculpa a homossexuais que tenha ofendido, mas deve também pedir desculpa aos pobres, e às mulheres que foram exploradas, às crianças que tenham sido exploradas (sendo forçadas a) trabalhar. E deve pedir desculpas por ter abençoado tantas armas”

Disse, citado pela Reuters, quando questionado por jornalistas se concordava com as afirmações de um cardeal alemão que defendeu esta semana que a Igreja deveria procurar o perdão dos gays.

O Papa falou durante quase uma hora com jornalistas que o acompanharam numa viagem à Armênia. Quando questionado sobre o massacre de Orlando – um atentado este mês numa discoteca LGBT na Florida, nos EUA, que provocou a morte a 49 pessoas –, o Papa defendeu que a Igreja nem sempre fez o que podia: “A Igreja deve dizer que está arrependida por não se ter comportado como deveria muitas vezes, muitas vezes”.

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A mensagem não era apenas para dentro da Igreja, mas sim para toda a comunidade. “Quando eu digo a ‘Igreja’, eu quero dizer nós, cristãos, porque a igreja é santa; nós somos os pecadores”, acrescentou o Papa. “Nós, cristãos, devemos dizer que lamentamos.”

Mas mais do que isso, fala Papa Francisco sobre gays, “não devem ser discriminados. Devem ser respeitados e pastoralmente acompanhados”.

Não é a primeira vez que o Papa Francisco fala de um assunto sensível para a Igreja Católica. No sínodo sobre a família, em Outubro de 2015, defendeu o acolhimento de gays, mas não o seu casamento. Sem nunca se referir concretamente às pessoas que vivem à margem das regras católicas – divorciados, homossexuais, pessoas que vivem em uniões de facto –, Francisco lembrou que a Igreja que lidera “não aponta o dedo para julgar os outros” e tem o dever de misericórdia, porque “uma Igreja com as portas fechadas atraiçoa-se a si mesma e à sua missão e, em vez de ser ponte, torna-se uma barreira”. (UOL)

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