Árbitro gay se aposenta, aos 21 anos, após homofobia

Jesús Tomillero, de 21 anos, argumenta que já não tem forças para continuar a lutar contra a discriminação

Desde que assumiu publicamente que era gay há algumas semanas, por meio de redes sociais, Jesús Tomillero, 21 anos, nunca mais teve sossego. Dentro e fora dos campos de futebol, seu local de trabalho, Jesús sentiu na pele a homofobia que, antes velada, decidiu dar as caras em um esporte que é historicamente homofóbico. Nesta semana o árbitro pendurou as chuteiras e anunciou a sua retirada do futebol, cansado dos insultos e até mesmo ameaças que têm recebido.

“O que mais amo neste mundo é a arbitragem. Dediquei toda a minha vida a isto, é a única coisa que sei fazer. Mas decidi parar, pelo menos por enquanto. Não tenho forças para continuar essa luta, que é mais dura do que imaginei”, desabafa. O ponto final foi no último final de semana, durante um campeonato de juniores espanhol, ao ser insultado e agredido por um torcedor do San Fernando. “Pedi proteção da polícia, para que identificassem o torcedor… fiquei surpreso com a conivência não só da segurança local como também de jogadores, que nas redes sociais comemoraram minha saída”, afirma, magoado com a situação.

O árbitro lamentou a falta de apoio da Federação da Andaluzia, mas fez questão de agradecer as manifestações em seu favor, inclusive no Brasil. “Recebi milhares de mensagem de apoio por todo o mundo, fiquei feliz pelo apoio e espero que seja o caminho para que todos, gays ou não, possam exercer suas profissões e serem felizes”, completa em sua despedida.

As redes sociais, hoje nossa principal ferramenta de disseminar informações e empoderamento de minorias (como a comunidade LGBTS), foi fundamental para Tomillero. Há alguns meses o árbitro denunciou os abusos de técnicos e torcidas contra ele e outros aprendizes, assumidamente gays.

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Jesús Tomillo foi o primeiro árbitro de futebol espanhol a assumir sua sexualidade. “Sou o primeiro árbitro a sair do armário. Estava cansado de discriminação e boatos. Ninguém tem o direito de julgar ninguém e amo quem eu quiser”. Quando perguntado se há mais gays no mundo da bola, dispara, “Se há mais? Existem milhares, mas todos têm medo de assumir. Não imaginam quantos árbitros e jogadores entraram em contato agradecendo pela luta, que agora é nossa”.

Jesús também lembrou o recente episódio de insulto homofóbico contra Cristiano Ronaldo, em recente disputa Barcelona x Real Madrid, ao vivo em todo mundo. “É vergonhoso. Ronaldo não é gay, e mesmo que fosse ninguém tem o direito de questionar não só sua vida privada, como também o caráter e qualidade enquanto profisisonal. É inadmissível mexer com os sentimentos das pessoas, humilhá-las por qualquer diferença que exista”.

É, meus amigos, se há menos de 10 anos finalmente ultrapassamos a barreira de se ter mulheres apitando jogos de futebol, imagine quando teremos respeito no gramado com um árbitro gay… a luta continua!

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