07 – O diário de um jornalista infiel

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Corri em direção ao carro da equipe de jornalismo. Thor, o motorista que também fazia as vezes de segurança (por isso o apelido), esperava impaciente para acelerar a cem por hora até o centro de São Paulo. E assim o fez.

Enquanto me desorientava em meio às folhas de pautas e contatos do 3° Distrito Policial, o telefone tocava sem parar. Um número restrito insistia em falar comigo no momento que me preparava para a primeira matéria exclusiva da minha vida. Era bom que fosse tão importante quanto esse momento.
– Alô. Quem é?
– Oi, aqui é o Ricardo. Tudo bem por aí?
O carinha da faculdade. As últimas 24 horas haviam sido tão confusas que não me lembrei de falar com ele sobre nosso trabalho atrasado e o convite para conhecer o Rafa.
– Tudo Rick… o que manda?
– Desculpa te atrapalhar, cara. Só queria confirmar a reunião do trabalho as cinco.
– Cinco horas? Estarei lá!
– No estúdio, ok? Reservei a sala para nós.
– Combinado!

Será que conseguiria chegar até a Mooca, sendo que era quase dez da manhã e não sabia o que me esperava no Cultura Artística? Não era hora de me preocupar com isso, estávamos próximos da Roosevelt, Thor me deixaria uma quadra abaixo e de lá iria a pé até o local do sequestro. Em pensar que Elton, o cara armado dentro daquele teatro esteve ao meu lado por quatro anos de faculdade… me sentia nauseado, culpado e acreditava que podia ajudar, afinal deve ser essa a sensação de um jornalista quando está de cara com o perigo. Não?

Precisava me conter e não estragar tudo. Na minha cabeça, um milhão de informações como o dia que decidi deixar o teatro e fazer jornalismo… era meu terceiro ano, sabia que continuaria pobre e sem tempo, mas eu amava aquilo. Também lembrava do Garrido, meu professor de ética, enquanto furava o aglomerado de pessoas…

Acho que você chegou atrasado, foca!

“A informação em jornalismo é compreendida como bem social e não como uma comodidade. O quê isso significa? Que não estamos isentos de responsabilidade em relação à informação. A responsabilidade social do jornalista requer que ele aja, debaixo de todas as circunstâncias, em conformidade com uma consciência ética pessoal. Nunca se deixando levar pela emoção ou pelo envolvimento com o fato!”

07 - O DIARIO DE UM JORNALISTA INFIEL
A voz desapareceu. Estávamos eu e o cordão de isolamento protegido por um policial mal encarado e arrogante:

– Vá para trás, jovem!
– Eu sou da imprensa!
Proferi orgulhoso e estabanado, tentando procurar em minha mochila a credencial. Enquanto derrubava os malditos papeis no chão vi a barreira policial se abrindo e colegas, alguns rostos conhecidos de outras redações, voltando da cena do crime.
– Acho que você chegou atrasado, foca!
Fred, meu veterano e subeditor do jornal concorrente, me tratando – novamente – como um imbecil. Não era a primeira vez que o via em cobertura de notícia e, como sempre, agia como Assis Chateaubriand, só que mais afetado. O que tinha de lindo e alto, Frederico tinha de escroto e puxa saco… além dos rumores de que comia a editora para ter conquistado tanto espaço em tão pouco tempo.
Enquanto ouvia outras chacotas sobre mim não vi que ao lado passavam alguns policiais escoltando Elton. A história acabou e eu não tive tempo de cobri-la. Puta que pariu!
A única chance que tive de me destacar no jornal e chego atrasado. Nessa hora chega Thor, esbaforido, com a câmera que havia esquecido no carro e a minha credencial.
– E aí, entrou?
– Saí Thor… chegamos tarde! O Maia vai me foder… eu estou fora!
Foi então que Fred, ainda por perto, resolve tirar mais uma com a minha cara, sem pensar duas vezes:
– São os preceitos do jornalismo, meu caro. Um dia você perde, no seu caso no outro dia perde também.

Sem me importar com a centena de pessoas que estavam a nossa volta avancei sobre ele, deixando de lado Garrido, a ética e qualquer outro óbice que pudesse me impedir de deixar lembranças minhas na cara do burguesinho. Seria demitido de qualquer forma, que fosse em grande estilo!

Naquele instante ouço uma voz gritando meu nome. Não conseguia reconhecer quem estava me chamando, mas sim, era conhecida. Há poucos metros saíam do Teatro Clara com outras vítimas de Elton… era ela que estava me chamando!
– Deixe ele passar!
Gritava minha colega para alguns policiais que a escoltavam para o carro. Deixei de lado minha briga com Frederico e corri em direção à Clara e os demais:
– Eu quero falar com você… precisamos conversar sobre o Ton. Ele precisa de ajuda!
– Como eu faço? Para onde estão te levando?
– Senhora, precisamos seguir o protocolo. Me acompanhe por favor.
Anunciava uma das militares responsável. Da cena do crime todos os envolvidos deveriam passar por exames e depoimentos junto à delegacia.

– Me encontre depois… só quero falar com você, não quero esses abutres atrás de mim!
Mal tivemos tempo de nos abraçar e colocaram Clara dentro do carro. Olhei para trás e lá estavam Thor, com o celular na mão informando que Maia estava na linha, e Fred, boquiaberto e sem entender o que acontecia ali. Peguei o aparelho e logo contei a novidade para meu chefe.
– Maia, temos uma exclusiva. Reserve a capa do site para hoje à noite.
– Ótimo! Sabia que você não ia me decepcionar… tire o dia de folga e se prepare para falar com a vítima. Thor me contou tudo, estou contando com você.
Desliguei, peguei meus papéis com meu parceiro, minha credencial e me despedi de meu adversário, ainda ali, tentando levar algo para a redação.
– São os preceitos do jornalismo, meu caro. Um dia você perde, no seu caso no outro dia perde também.

“Achei que você precisava relaxar”

Enquanto minha saída do Cultura Artística tinha sido triunfal, minha chegada à universidade foi um desastre. Engoli qualquer coisa na estação República, aproveitei o wi-fi da lanchonete e finalizei minhas notas para o editor. De lá fui até a Bresser-Mooca, já lotada e pronta para a hora do rush.

Esqueci minha carteirinha e fiquei por mais vinte minutos esperando autorização para entrar. “Onde estava com a cabeça hoje?”, perguntava. Finalmente fui atendido, passei a roleta em direção ao estúdio, conforme combinado com Ricardo e os demais colegas.
Olhando para o horário, quase cinco da tarde, também vi uma mensagem de texto do Rick:

“As meninas não virão para a reunião. Seremos só eu e você ;)”

Li o SMS e não percebi que eu, quem preparava uma armadilha para Ricardo, seria presa fácil naquela tarde.

Cheguei no estúdio que estava entreaberto e fui até o único ponto de luz, sobre o cenário das aulas práticas de jornalismo. Me sentia em um filme de suspense, prestes a ser pego pelo malfeitor quando me surpreendo pela porta do set sendo fechada e um vulto, certamente de Ricardo, vindo em minha direção:
– Você chegou.
Declamava Ricardo, quase irreconhecível. Sempre o via de camisa social da empresa, calça jeans e cara de quem saiu de casa às sete da manhã e não voltou. De bermuda escura de moletom deixando o volume e suas pernas grossas à mostra e camiseta branca, justa, delineando o corpo jovem e atlético que pouco mostrava, Ricardo veio em minha direção e pediu que sentasse na cadeira de um dos âncoras. Fiquei em silêncio, um longo e delicioso silêncio que acreditava merecer naquele momento, por aquele dia atordoante.
– Achei que você precisava relaxar.
Declamava, massageando minhas costas com mãos firmes e carinhosas. Minha tensão desaparecia, dando lugar para um tesão desenfreado. Peguei suas mãos e trouxe para meu peito, que ele insistia em massagear, falando no pé do meu ouvido qual o motivo daquele embuste:
– Eu quero você há muito tempo… e você vai me foder aqui, em cima dessa mesa.

Aquilo soava como uma ordem, e meu pau já duro e nas mãos de Rick, queria atendê-la. Com um movimento brusco trouxe meu colega perto do meu rosto e beijei seu pescoço, boca e rosto, sentindo o arrepio que tomava conta dos nossos corpos, uma mistura de euforia e medo que alguém chegasse e arruinasse o momento. Ricardo sacou uma camisinha no bolso com uma das mãos, enquanto a outra apertava minha rola como se tentasse me fazer gozar naquela hora.

Me segurei, por um instante parei e lutava contra meus pensamentos que buscavam Rafael e a nossa história. Queria que aquilo acontecesse entre nós três e me sentia errando, embora louco para enrabar Ricardo naquela mesma hora. Não queria falhar naquela missão, afinal ele estava ali, ficando de quatro sobre a mesa e com a bunda, branquinha e empinada, pronta para me receber.
– Eu não posso!
Exclamei, contra a minha vontade. Ia colocar tudo a perder, tinha certeza disso, mas meu instinto não podia passar por cima do que acreditava… Ricardo insistia, acariciando o cu, liso e úmido, e olhando para mim com aquela cara de quem precisava ser comido naquele momento.

07 - O DIARIO DE UM JORNALISTA INFIEL_02
Estava excitado e envergonhado por estar suado depois de um dia de trabalho, mas Ricardo pouco importava com aquilo. Se virou e veio em direção ao meu pau quando fomos surpreendidos pela porta.
– Tem alguém aí!?
Gritava dona Erci, a zeladora do prédio de comunicação, tentando usar
sua chave para abrir o estúdio. Nos jogamos no chão em busca de nossas roupas, vesti do avesso minha camiseta e tentava guardar na cueca aquela ereção que precisava ser resolvida sobre aquela bancada. Ricardo, por sua vez, colocava a bermuda no seu tempo, pouco importando para minha ansiedade.
– Eu tirei a chave dela do molho…
Afirmou com calma e bem resolvido. Rimos e nos beijamos subindo em direção à sala superior do set, que dava na cobertura do pequeno prédio.
– Qual é o plano?
Perguntei sendo arrastado por Ricardo escadaria acima. Ele parecia ter um plano, e eu um pau duro prestes a arrebentar as calças.
– Vamos até a cobertura e descemos pela escada de incêndio. Acho que tenho a chave aqui.

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1 comentário

  • Reply Orlando Netto 16 de abril de 2016 at 23:46

    Preciso do capítulo 8,urgentemente!

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