Filme gay bate recorde na Itália, após censura do Vaticano

O filme “45 Anos”, um longa de drama britânico dirigido e escrito por Andrew Haigh (baseado no ensaio In “Another Country” de David Constantine), ganhou destaque esse ano com a indicação de Charlotte Rampling ao Oscar de melhor atriz.

Seguindo o embalo, a distribuidora italiana Teodora Film lançou no país o filme Weekend, outro excelente longa de Haigh, esse com temática LGBTS. O Vaticano se sentiu ultrajado com a atitude e censurou o filme gay, que foi produzido em 2011 e só agora ganhou espaço na mídia.

Na Itália a igreja Católica é a maior controladora da cultura no país, banindo filmes e proibindo shows e eventos que vão “muito” contra os dogmas da igreja (lembrem-se de Madonna, na década de 90), não só por sua influência sobre a população, mas também porque é dona de quase todas as salas de cinema e teatro italianas.

Dessa vez foi diferente. Após petições e apoio de redes de televisão dentro e fora do país, o filme Weekend foi para poucas (mas boas) salas de cinema da Itália e, pasmem, obteve a maior bilheteria de 2016, deixando para trás até mesmo Batman vs Superman: A Origem da Justiça, analisando de forma proporcional a quantidade de salas x público pagante.

No início do mês o Comitê de Avaliação de Filmes da Conferência Italiana de Bispos, órgão da igreja que “analisa” os filmes que serão exibidos nos mais de 1080 cinemas de propriedade do Vaticano, classificou Weekend como “não aconselhável, inutilizável e escabroso (indecente ou libertino)”. Com essa classificação, o filme conseguiu ser exibido em apenas 10 salas.

Para o presidente da distribuidora e o próprio diretor Andrew Haigh, “estamos lidando com a homofobia da igreja, e nada mais que isso. Eles decidiram que ele é inaceitável para seu público, o que não representa os números do último mês, tentaram censurar e usaram seu poder para paralisar a distribuição”.

“Há cidades como Florença, Bérgamo e Pádua que não conseguimos exibir Weekend, e a única razão para isso é que os protagonistas são gays. É um desrespeito ao nosso trabalho e ao público”, afirma Vieri Razzini, presidente da Teodora Filmes.

Segundo a norte-americana Variety, o filme de Haigh faturou US$ 6221 por sala. Deixando para trás “Divergente: Convergente”, exibido em 376 cinemas e o recém lançado filme da DC.

Para o mês de abril, produtores e distribuidora já podem comemorar: 21 salas exibirão Weekend, além de circuitos alternativos, como eventos e salas particulares de bancos e outras empresas.

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