Conheça a Humanidade Livre, igreja para gays e que apoia o sexo por prazer

Ele foi excomungado pela Igreja Católica, em novembro de 2014, desde então resolveu trocar os dogmas por amor e respeito. Padre Beto, como segue bastante conhecido, foi destituído pela Santa Sé (assumidade máxima da igreja católica) por sua transparência e a franqueza sobre assuntos bastante delicados pela religião: homossexualidade, sexo e conversão, alguns dos temas amplamente debatido pelo religioso, que ganhou a mídia nos últimos anos, após perder sua função sacerdotal.

De acordo com o UOL, para “explicar” sua saída da entidade cristã, Roberto Francisco Daniel afirma que tinha esperança de que houvesse mudanças no discurso da igreja católica,  especialmente no que diz respeito aos assuntos ligados ao sexo. “A Igreja enxerga a sexualidade como algo negativo, que nascemos do pecado, e prega que o sexo só deve ser feito com finalidade de reproduzir a espécie. Não poder transar antes do casamento não faz sentido, uma vez que você só conhece uma pessoa na sua intimidade. Qual é o problema disso? E aí entram outras questões tão absurdas quanto, como a proibição do uso de métodos contraceptivos. A Igreja só aceita quem não vive plenamente sua sexualidade”, declara.

Em Bauru, igreja apoia comunidade gay

Padre Beto, excomungado da igreja católica, cria igreja que apoia a comunidade LGBT e sexo por prazer

Ainda sobre sexo e relacionamento dispara que “o maior prazer mundano é o sexo. Não tem nada melhor do que ter um orgasmo. E eu não vivo na castidade, pois, apesar de escolher ser padre, continuo humano e tenho minhas necessidades sexuais”. A notoriedade de Beto diante do seu discurso humanista e sensível às reais minorias fizeram com que continuasse usando o título de padre e fundou sua própria religião, a Humanidade Livre, em Bauru, no interior de São Paulo.
Há mais de um ano padre Beto celebrou a primeira missa da nova comunidade. “Acreditamos em Jesus Cristo, rezamos apenas com o Evangelho e deixamos para trás assuntos como a vida após a morte e preceitos morais impostos pela Igreja.”

E não são só as palavras de Cristo que ainda permanecem nas celebrações semanais no local, um galpão simples. Os fiéis também têm oportunidade de comungar.  Seguindo a liberdade que a Humanidade oferece a seus fieis, a trilha sonora não poderia ser diferente. As missas da Humanidade Livre são repletas de boa música, como Titãs, Legião Urbana, Clube da Esquina, Chico Buarque, Lenine, entre outros nomes da música brasileira. “E, a cada domingo, um grupo diferente toca. Na maioria das vezes, a banda é formada pelo pessoal que trabalha em bares aqui da cidade”, completa o padre.

O mais revigorante, segundo ele, é poder estar perto de todas as pessoas, independentemente da raça, sexualidade e crenças. “Em média, recebemos 120 pessoas por domingo. Entre elas, temos casais hétero e homossexuais, solteiros, divorciados, jovens, travestis –embora elas ainda tenham receio de estar em um ambiente religioso– e também idosos”, conta. “Conseguimos acolher todos que a Igreja, de certa forma, não aceita.”

O religioso esclarece que segue fazendo rituais da Igreja Católica porque a excomunhão é “apenas” um banimento e ele permanece sendo um sacerdote. “Sou um padre maldito para a Igreja e estou condenado ao inferno. Independentemente disso, criei minha própria religião e exerço minha vocação.” (Thais Carvalho Diniz / UOL)

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