O príncipe gay que pode mudar a história da Índia

Supremo Tribunal da Índia se reune para reavaliar Código Penal que criminaliza a homossexualidade

Se você acha que ser gay no Brasil é um desafio, precisa ir para a Índia. O país é um dos vários do continente asiático onde “atividades homossexuais” podem ser caracterizadas como crime. A seção 377 do código penal indiano proíbe “sexo contra a ordem da natureza com qualquer homem, mulher ou animal”, o que pode ser interpretado como sexo gay. A imposição remonta à era colonial, quase 200 anos se passaram e pouco avançou, até agora.

Quando populações LGBTS marcham pela igualdade a lei faz vistas grossas, mas… e quando um príncipe decide encarar o desafio?

Apesar da pressão familiar, social e política, Manvendra Singh Gohil é hoje uma das figuras mais importantes do novo cenário político na Índia. Gohil é hindu, pertencente à família real do antigo estado de Rajpipla que após várias tentativas de deserdá-lo, deixou que seu sucessor assumisse o poder e sua orientação sexual, aos quarenta anos.

São mais de dez anos de ativismo que tem surtido efeito em uma Índia que pune a homossexualidade. O Príncipe recorre ao Supremo Tribunal de seu país para que criem uma atualização da lei que criminaliza a homossexualidade. Foram dezenas de petições feitas por ONGs, como The Humsafar Trust (em Mumbai) e The Naz Foundation Trust (Nova Délhi), que promovem a luta pelos direitos LGBT e orientação para sexualidade e prevenção de DSTs. “Acreditamos que um membro real ao nosso lado fará com que o governo entenda que ser gay é inerente ao ser humano, como diferentes cores ou religiões”, afirma Anjali Gopalan, fundadora da Naz Foundation, trazendo mais calor para a discussão ao associar orientação à religião e diversidade.

A odisséia do príncipe gay

“Aos 12 ou 13 anos percebi que não me sentia atraído por pessoas do sexo oposto, mas por pessoas do mesmo sexo. Na época não havia internet e tantas informações como hoje. Não havia ninguém que me explicasse o que é que eu sentia”, conta Manvendra em entrevista ao projeto internacional Come Out Loud.

Por imposição da cultura e de sua família, Manvendra Singh Gohil casou-se aos 15 anos e por mais de uma década se manteve ao lado de sua esposa quando revelou sua homossexualidade aos 27, e se separou. “A família levou-o a médicos e perguntavam se havia alguma operação que o tornasse ‘normal’. Sem sucesso. A rainha anunciou publicamente que o deserdava”, afirma o portal tvi24.

“Os direitos dos gays não podem só vencer no tribunal, mas também nos corações e nas mentes das pessoas com quem convivemos”, afirmou o príncipe.

“Tudo o que esperamos da sociedade é o amor. Os direitos dos homossexuais devem estar não só nos tribunais, mas também nos corações e mentes das pessoas com quem convivemos.”

Em tempo, o Supremo Tribunal pediu que os principais juízes da capital indiana examinassem a lei de 1860 reativada em 2013. A pena é de até 10 anos para quem tenha relações homossexuais.

Os ativistas seguem firme ao lado do príncipe e a esperança reina sobre a Índia novamente.

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