01 – Antes de mais nada, o começo de tudo

No Inicio era o Verbo, e depois o homem e então tudo se resumiu a trepar. Basicamente nossos instintos apontam para a cópula em grande parte dos factuais de nossas vidas, e não há nada de errado nisso. Se reparar bem, os grandes acontecimentos da humanidade foram resultantes de um romance ou da falta dele… pode pesquisar!

Tudo bem que não sou um grande conhecedor de História. Embora tenha tirado boas notas no colégio e o professor Paulo (inesquecível) corroborava para isso, não sei o certo quanto dessa afirmação é verídica, mas na minha vida faz todo sentido. Falar de sexo, especialmente depois que descobri o poliamor e suas vertentes e, principalmente, depois que me descobri se tornou papo de boteco.

01 – ANTES DE MAIS NADA, O COMEÇO DE TUDO_01
Papo, inclusive, que preciso rever pois muita gente em volta, cônjuges infiéis e em busca daquela trepadinha rápida e outros casais frígidos e acabrestados, me julgam com os olhos… fodam-se! Por favor, fodam sim!

Dessa forma decidi falar aqui sobre foder. Quero escrever algo sincero, sem muito rodeio e que traga algumas discussões sobre nós, sobre o sexo, comportamentos, afeto, seus tipos e sobre o que queremos ou tentamos querer. No início essa história seria basicamente sobre sexo, mas aos poucos tomou rumos que nem eu consegui controlar.

Quando ainda tinha vinte e nove anos (calma, isso foi há pouco tempo, juro) decidi que precisava conversar com as pessoas de uma forma diferente. Queria ajudar desconhecidos a desbravarem seus íntimos e entenderem porque somos condicionados a tanta babaquice sem nem sabermos o motivo. Será que consigo?

Enfim, sem pretensiosismo… ok, um pouco é sempre bom… esse é o primeiro capítulo da minha história, que começa quando me dei conta que um era bom, dois fundamental, mas três poderia render um conto cheio de aventuras e com muita coisa para se pensar.

E foi assim que me interessei por aquele garoto da faculdade

Passava das nove da noite e a professora seguia sua aula de Processo de Criação… há quase dois meses me perguntava que caralho fazia em uma aula exclusivamente de publicidade, mas de qualquer forma o conteúdo me interessava.

Sempre fui um cara visual. Um criativo reprimido, ou recalcado, mas um aventureiro nato quando o assunto era se reinventar para garantir uma grana no final do mês. Vira e mexe fazia uns freelas para segurar as pontas com o pouco dinheiro que a assessoria me trazia. Começo de carreira pode ser bem ingrato, especialmente quando você está com vinte e cinco anos e São Paulo te engole com dezenas de contas de luz, telefone, internet e as saídas de final de semana. É, meu amigo, morar na Paulicéia traz alegrias e dívidas.

Perdido em uma matéria de adaptação, uma espécie de “encaixe” que a faculdade obriga a fazer para cumprir determinadas metodologias, minha sala tinha 60 alunos, quase todos só de corpos presentes. Me sentia um estrangeiro no meio daquela molecada que não parava de falar sobre qualquer assunto, exceto Processo de Criação. A professora, uma guerreira, insistia em aplicar seu conteúdo e se fazia de rogada ao apresentar Rudolf Arnheim e Lilian Miller (aquela que fala de Goethe e Bauhaus como se tivesse morado com eles), estudo de cores e um monte de teoria que certamente faria falta para aqueles publicitários algum dia.

No meio da baderna, observei um garoto prestando atenção na aula e, acreditem, anotando alguma coisa! Me senti aliviado por não ser o único fora de contexto no meio dos “colegiais” e continuei observando com menos espanto e mais admiração. Na minha primeira faculdade era eu aquele estudante entre tantos fazendo o possível para absorver conhecimento e praticar um dia o que foi ensinado.

O garoto, um pouco loiro e tímido, estava rodeado de meninas que todo o tempo mostravam para ele alguma coisa em seus celulares do momento… risinhos melindrosos e cumplicidade fechavam aquela cena e me indicava que provavelmente estava olhando para um bom amigo. Apenas um bom amigo.

Ricardo é seu nome. Vinte anos, mora com a mãe e irmã, filho de pais separados. Na época, Ricardo trabalhava com venda de aparelhos de projeção de qualquer marca.

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Com seu corpo esguio e algumas marcas de puberdade, Rick trazia consigo ares de juventude que há um tempo eu havia deixado de lado com a quantidade enorme de trabalho que tinha assumido em minha vida adulta.

Meu namoro ia bem. Três anos de relacionamento não é para qualquer um, especialmente quando são dois caras… sejamos francos, quatro cabeças pensando é o prenúncio de desastre, e quantos desses já passei!

Acho que o grande erro, seja você de qualquer gênero ou orientação, é se basear em modelos de amor, especialmente quando o espelho é aquele roteiro morno e mal adoçado de novela das nove… não há Cristo que segure viver no buçal ou com essa mentalidade latinoamericana maluca de que pessoas ao nosso lado, assim como um celular ou toalha de praia, são de nossa posse e responsabilidade.

Voltando ao namoro, o Rafa já dava indícios de que observava fora outros tipos de relação quando chegou em casa em êxtase contando a história de um de seus amigos que estava namorando um casal. “O Vitor vai para Nova York e o Henrique com o namorado vão encontrá-lo na véspera do final de ano. Imagina que lindo os três passando o Natal juntos no pé da lareira”, me contou, animadíssimo com a aventura do amigo. Confesso que achei brega, mas fiquei curioso pelo resultado, especialmente que se tratava de três caras realmente lindos juntos. Tive tesão, bati uma punheta pensando no assunto. Gostei.

Daí para o Ricardo foi rápido. O garoto entrou para meu grupo de trabalho da faculdade… Vivian, a “líder” da turma, viu potencial em minha senioridade (estou sendo sarcástico, ok) e decidiu me escolher para o quinto elemento de uma criação de marca. Eu, obviamente, me exibi no que pude fazendo apresentações espetaculares sozinho, trazendo um pouco mais de experiência ao jogo e deixando professora e os colegas surpresos (ainda não sei se de forma positiva) com tamanha desenvoltura. O que importa é que consegui me aproximar dele e durante uma semana e meia passamos algumas noites de aula nos esbarrando e trocando olhares ainda mais retilíneos e que me deixavam sem poder levantar.

Ricardo gostava de tocar em mim, esfregando braços e pernas, quando possível, nas minhas, e aquilo me deixava com um tesão colegial leviano e admirável. Me lembrava os tempos de educação física, onde o objetivo era chegar primeiro no vestiário e ser o último a sair.

Enquanto o jogo de xadrez durava dias na sala de aula da faculdade, em casa, o desafio parecia mais com cartas. Estava com a mão cheia, esperando o momento certo de baixar minhas trincas, e precisava dar certo. Embora raras vezes tivemos problemas de ciúmes ou outras adversidades ortodoxas, seria a primeira vez que sairia dos elogios ou xavecos sem muito fundamento para expressar o interesse em trepar com mais alguém.

O local para a conversa estava escolhido, e o ambiente era regado a caipirinha e outras especialidades etílicas. Como bom namorado sei que ele não resiste a uma conversa no pé do ouvido e limão siciliano com vodka… e assim respirei fundo e decidi investigar:
– E o Vitor, como foi de viagem?
– Deu merda, acho que já acabou…
– Ê, caralho…
Senti a coragem indo embora, aos poucos.
– Sim, sei lá, esse negócio não dá certo não!
– Ê, caralho…
– Por que?
– Hum?
– Querer saber do Vitor… nem vai muito com a cara dele.
– Nada… é que você estava animado há uma semana com ele, e o namoro “moderno” dele.
– Ah sim, achei eles bonitinhos juntos…
– Pois é. Imaginei que o desfecho seriam 3 meias no pé da janela, lua nova e neve do lado de fora iluminando os corpos nus entrelaçando ao som de um jingle ruim de Natal…
– Você está cheio de criatividade ultimamente!
– Não sabe o quanto.

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2 comentários

  • Reply Welinghton 4 de junho de 2016 at 03:32

    Quero isso pra minha vida,show cara!

  • Reply Orlando Netto 16 de abril de 2016 at 12:00

    Parabéns,adorei!!!

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